O E-learning e a aprendizagem pela descoberta
Março 17th, 2009
Ao e-learning é atribuída a característica de conseguir romper com o paradigma pedagógico tradicional – o escolar. O e-learning 1.3 (ou 1.5) e o e-learning 2.0 têm por base abordagens pedagógicas do tipo construtivista (Bruner, Piaget) e do tipo sócio-interaccionistas (Vygotsky). Nestas abordagens a aprendizagem é centrada no participante, moderada pelo formador e mediada colaborativamente. Não faço aqui destrinça entre os modelos de e-learning (1.3 e 2.0), mas podem abrir a hiperligação acima referenciada para saberem mais informações.
Após ler um artigo de Nuno Crato, no jornal o Expresso, com o título de “Ensine-me, por favor”, comecei a reflectir se o e-learning acima referido consegue responder a toda e qualquer situação/problema organizacional e, se haverá áreas temáticas onde o e-learning obtém melhores resultados. Isto porque segundo este artigo, investigadores de Carnegie Mellon comparam os resultados da instrução directa com a aprendizagem pela descoberta e, as conclusões foram as seguintes (cito a partir do artigo de Crato):
“A percentagem de sucesso das crianças sujeitas a instrução directa é muito maior que a das crianças entregues a um processo de aprendizagem pela descoberta. Essa percentagem, que depende das medidas utilizadas, chega a ser três vezes superior no primeiro grupo.
Os investigadores procuraram ainda saber como as crianças tinham assimilado a técnica de separação de variáveis e reavaliaram-nas várias vezes mais tarde (uma semana, três meses e três anos). A conclusão é de novo curiosa: não importa o método de ensino, as crianças que apreenderam o método por instrução directa são tão capazes de o aplicar em situações novas como as que o descobriram por si. O ensino directo não parece ser inimigo da criatividade nem do pensamento independente.”
Se bem que alguns pedagogos seguidores do pensamento de Malcolm Knowles dirão que ensinar uma criança não é o mesmo do que ensinar um adulto. Não deixa de ser curioso que Crato aplica as conclusões deste estudo a ele próprio, ilustrando como aprendeu com sucesso um trajecto citadino através da instrução directa, quando falhara essa mesma aprendizagem através da descoberta.
Como se pode ler no mesmo artigo, a perspectiva actual defende uma mistura das duas abordagens – descoberta guiada com a instrução directa. Mas, contrariando as conclusões do estudo, arrisco a afirmar que na educação/formação de adultos o sucesso das aprendizagens está dependente do contexto e da situação de aprendizagem. Ou seja, a aprendizagem pela descoberta poderá ter melhores resultados do que o ensino directo em determinadas condições/situações e, vice-versa.
O e-learning apresenta uma filosofia próxima da aprendizagem pela descoberta. Assim, segundo esta investigação poderiamos deduzir que o e-learning apresentaria desvantagens em relação à formação em sala, onde se assiste a um ensino do tipo directo. Também neste caso acredito que o sucesso do e-learning varia consoante as situações/condições. O sucesso do e-learning dependerá do tipo de público-alvo, objectivos da formação, do impacto esperado e da urgência da formação. Quanto às matérias ou temas da formação que melhor se adequam ao e-learning, face ao actual desenvolvimento das plataformas e perante o modelo de aprendizagem protagonizado, em teoria, conteúdos de natureza conceptual e as aprendizagens que apelem a uma maior reflexividade dos participantes podem obter maior sucesso.
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