É comum pensar-se que o e-learning é um regime de formação estático e centrado em conteúdos. Se a primeira geração do e-learning possui realmente estas características, os últimos anos revelaram uma expansão do e-learning que se deveu muito às possibilidades de interacção e de colaboração entre participantes oferecidas pelas TIC’s. As abordagens pedagógicas activas, tais como Trabalho de Projecto (Project-based Learning) e a Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas (Problem-based Learning) têm assim ganho uma nova dimensão quando associadas ao e-learning.

As abordagens pedagógicas acima referidas são por vezes confundidas ou incompreendidas por alguns dos participantes. Por isso, proponho neste espaço descrever de forma resumida de ambas as abordagens, numa primeira fase, as características da abordagem Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas.

A aprendizagem baseada na resolução de problemas é descrita como sendo uma estratégia formativa através da qual os participantes são confrontados com problemas contextualizados e pouco estruturados e para os quais se empenham em encontrar soluções significativas. Nesta abordagem está presente um conjunto de princípios considerados como o desiderato do bom ensino/aprendizagem, ou seja, é uma abordagem centrada no participante, aumenta a motivação intrínseca, promove uma aprendizagem activa e profunda, inclui muitas vezes uma aprendizagem colaborativa (entre pares), valoriza os adquiridos dos participantes, encoraja a reflexão e a criatividade e, promove a auto e a heteroavaliação.

O modo de funcionamento da aprendizagem baseada na resolução de problemas é focalizado na análise e investigação um dado problema ou cenário. É desenvolvida em pequenos de grupos, geralmente, em grupo de 5 participantes. As fases do processo são 3, nomeadamente as seguintes: (1) os participantes identificam os factos do problema; (2) trocam ideias sobre qual é o cerne do problema e o que pensam da situação; (3) geram hipóteses de resolução do problema, que por sua vez gera necessidades de aprendizagem, ou seja, o que devem eles aprenderem para testar as hipóteses. Ao formador compete a função de moderadar todo o processo, facilitando o processos grupais e de Scaffolding.

cycle

Uma Resposta a “Aprender através da resolução de problemas”

  1. HELENA SÉCIO Diz:

    Apesar de achar que estes novos conceitos poderão conduzir a um universo de chapeus coloridos e nunca se deve perder, no processo de aprendizagem de crianças, a relação fisica professor/aluno a minha experiência pessoal permite-me concluír que na formação à distância com recurso ao conceito descrito e ao da formação pelo trabalho aprendi mais do que nas formaações tradicionais a que tenho assistido.
    Complicado será aliciar, para se tornarem formadores, os mestres e mestras (no conceito não-bolonha da palavra) que costumem leccionar nas acções de formação tradicionais.
    Sem essa orientação da classe de formadores que escreve os livros que apoiam o desempenho dos tecnicos superiores das autarquias os cursos de e-learning, administrados por formadores que tiveram que passar, eles próprios, pelo processo de formação, terão que ser extraordináriamente bem concebidos e conduzidos, para que possam competir, em termos de atractividade dos formandos, com as formações tradicionais administradas pelos tais nomes sonantes e autores de textos orientadores da profissão.
    Tal como parece humilhante ao funcionário a imposição de usar chapeus coloridos nas reuniões de trabalho também a aprendizagem pelo trabalho e pela resolução de problemas implica uma pre-disposição que o funcionário-típico não costuma possuír.
    Mais longe dessa pre-disposição estarão, ainda, as chefias, que nem nas formações tradicionais costumam participar.
    Considero, portanto, que a mera oferta deste tipo de aprendizagem não será suficiente para formar tecnicos superiores e chefias das autarquias nas matérias com que tem que lidar no dia a dia.
    Será necessária a criação de contrapartidas válidas tais como a integração da formação no próprio SIADAP ou na evolução da carreira de funcionário público.

Comente esta entrada